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Eurico eternizou o quê?

Uma Era se foi. Mas, sinceramente, por todas as lutas e sonhos que temos pelo futebol mais honesto e limpo no Brasil, me pergunto se essa Era infelizmente ou enfim encerrou.

12/03/2019 às 10:51

O Brasil se despede de Eurico Miranda, uma das figuras mais importantes da história do Vasco, quer você queira ou não. Para uns, ele foi imprescindível para as glórias, para outros, o responsável pelas quedas. O que não se discute é sua caricata eternização. Agora o cara é para sempre.

Certa vez, no retorno de Eurico ao comando do Vasco, em 2015, ouvi de um torcedor cruzmaltino que havia uma única vantagem: o mandatário batia de frente com o Flamengo em termos de gritos e pressão junto às entidades envolvidas no futebol. Fiquei pensativa o quanto isso era, de fato, positivo. Não seria melhor torcer para que diminuísse o poder de bastidores do rival e que tudo, enfim, se resolvesse na bola?

Em campo, na década de 90, Eurico Miranda era vice-presidente das maiores conquistas do Vasco: Brasileirão de 1997 e 2000, Libertadores de 1998 e Mercosul de 2000. Em contrapartida, esteve à frente do clube nas quedas de 2013 e 2015. Mas antes, durante e depois desses períodos, o mandatário acumulou histórias de bastidores que… vejamos:

Ainda na década de 60, Eurico desligou a luz elétrica do Vasco para tentar impedir a cassação do então presidente, Reinaldo Reis. Na CPI do Futebol, no início dos anos 2000, lá estava o nome do dirigente entre os acusados. Um pouco depois, foi condenado judicialmente por agressão a um jornalista por não gostar da pergunta feita por ele. Foi também acusado de fraude nas urnas da última eleição presidencial do Vasco, no ano passado, que, em uma virada de mesa, conseguiu que sua chapa vencesse, mesmo após anulação de seu pleito.

O que quero dizer com tudo isso? Não é desmoralizar, nem tripudiar no agora eterno Eurico Miranda. Concordo com todos que dizem que sua morte encerra um legado do Vasco. Uma Era se foi. Mas, sinceramente, por todas as lutas e sonhos que temos pelo futebol mais honesto e limpo no Brasil, me pergunto se essa Era infelizmente ou enfim encerrou. O que ele eterniza com sua morte e, consequentemente, saída do futebol?

É que o brasileiro está acostumado ao caminho fácil e à idolatria desmemoriada, providencial e partidária. E como bem dizia Nelson Rodrigues:
“Há um ‘charme’ na morte, há um apelo que ninguém resiste. Entre um casamento, um batizado ou um enterro, qualquer um prefere o velório, embora este último não tenha os guaranás e os salgadinhos dos dois primeiros.”

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