Eduardo Costa

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Pode estar certo... Mas tá esquisito!

11/02/2019 às 09:00

Vivo a vigiar-me para não dar razão aos que dizem “jornalista é o cara que fala sobre tudo sem saber de nada”. De fato, como tratamos de assuntos de toda natureza, somos seres da superficialidade: jamais saberemos detalhes da construção e do monitoramento de barragem de rejeitos de minério ou o que deve garantir a segurança de jovens atletas em um alojamento de centro de treinamento de um time de futebol profissional. 

Mas, a grande vantagem nossa – e receita para sucesso ou fracasso de qualquer profissional da área – é que não devemos concluir, mas, perguntar. Qualquer curso de jornalismo começa com a orientação de professores do caminho a seguir, para a construção do “lead” – que, no caso do impresso, é o primeiro parágrafo e no qual você deve responder a seis perguntas para que o leitor tenha ideia geral do assunto e, se interessar, leia o conteúdo, em detalhes. Para profissionais de rádio e TV, o bom professor ensina que ele deve caprichar porque este não é o começo, mas a essência da informação. Assim é que o repórter ou redator tem de responder: O que? Quem? Quando? Onde? Como? Por que?

Outra coisa, básica, que aprendi e repasso para os mais novos, especialmente os que fazem estágio nas empresas que trabalho: todo fato tem, no mínimo, duas versões. Então, não devemos publicar nada sem, antes, procurar o outro lado, a pessoa ou empresa acusada, e oferecer a oportunidade de resposta. Não é favor; é obrigação de quem trabalha com informação. Cumprida esta etapa de ouvir o outro lado e responder as perguntas básicas, a gente pode ir para casa, se não tranquilo, pelo menos de consciência leve.

O difícil é administrar esses caminhos do jornalismo no ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2019. A turma do Lula continua pedindo a liberdade dele, como se fosse vítima de uma grande injustiça; os torcedores de Bolsonaro estão convencidos de que as denúncias contra Flávio, um dos filhos, são coisas menores, pequenas diante da oportunidade de um Brasil melhor. O Gilmar Mendes, figura nefasta do mundo jurídico, por suas decisões que contrapõem o bom senso e sua indisfarçável arrogância, acha um absurdo que a Receita Federal o investigue, como se não fosse legítimo ao Leão checar a vida de todo cidadão brasileiro.

Poderia enumerar centenas de outras bizarrices, mas, ficarei em duas, as mais escandalosas: a Vale, que já matou cinco em Nova Lima, 19 em Mariana e agora centenas em Brumadinho, é quem dá assistência aos familiares, providencia transporte para os alunos; contrata psicólogo para os produtores rurais e enterra as vítimas – as que os bombeiros conseguem resgatar das profundezas da lama. Mas, a Vale não é ré?

Aí vem a tragédia do Ninho do Urubu. O Flamengo, maior clube de futebol profissional do país, que está gastando R$ 100 milhões com reforços, coloca os meninos dentro de containers, sem aprovação da Prefeitura, e, quando dez deles são incinerados, desconversa. Ainda vejo gente publicando #Força Flamengo... Mas, não seria Forca?  

E a Vale, não deveria ser proibida de se aproximar de Brumadinho, enquanto seus diretores e gerentes ficariam à espera das multas e prisões?

Perguntar não ofende. E este é meu ofício. 
#pronto, falei!    

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