Gustavo Lopes

Coluna do Gustavo Lopes

Veja todas as colunas

A insana proibição da cerveja no futebol

O retorno das cervejas aos estádios proporcionará geração de empregos, de renda e aumentará o faturamento dos clubes.

30/11/2019 às 08:29


A polêmica sobre a venda de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol persiste. No âmbito estadual, a Bahia puxou a fila com a criação de lei que autoriza e regulamenta a venda da cerveja nas arenas. O Rio Grande do Norte, Minas, Paraná e outros estados acompanharam.

Sob o ponto de vista técnico, chama a atenção o fato de se criar uma lei para autorizar o que não é proibido, o que afronta a Constituição brasileira, que estabelece que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo, salvo em virtude de lei. E não há qualquer proibição legal para a venda de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol.

A atual proibição da venda de cerveja é fruto da interpretação equivocada de dispositivo do Estado do Torcedor, que estabelece a proibição do torcedor nos estádios portando objeto ou substância que cause violência. Assim, de inexistir qualquer proibição para a sua venda, não há qualquer estudo que comprove que a cerveja cause violência.

Pelo contrário, estudo realizado na Inglaterra (PEARSON & SALE “‘On the Lash': revisiting the effectiveness of alcohol controls at football matches” in: Policing & Society, Vol. 21, No. 2, June 2011.) aponta sérios problemas causados pela proibição:

- Os torcedores aumentam a quantidade ingerida de bebida antes de entrar no estádio e passam a ingerir bebidas mais fortes;

- os torcedores entram no estádio em cima da hora do jogo, dificultando o esquema de segurança e gerando tumulto;

- os torcedores se concentram nos bares arredores, aumentando a chance de encontro entre torcidas rivais, em espaços sem esquemas de segurança;

- há grande concentração de público na entrada em cima da hora do jogo, gerando: aumento de filas; aumento de catracas utilizadas; aumento de custos; aumento de tumulto e violência no acesso ao estádio;

- estádio perde receita (restaurantes, lojas, eventos antes do jogo…);

- torcedor consome ainda mais bebida, com maior velocidade, inclusive bebidas quentes, sabendo que a bebida é proibida dentro do estádio;

- pessoas circulando na rua, dificultando o tráfego e o acesso ao estádio.

Vale dizer que não há venda de bebidas alcoólicas nos estádios brasileiros há alguns anos (em Minas desde 2008) e a violência, além de não diminuir, aumentou.

Além disso, a Copa do Mundo foi um exemplo demasiadamente claro de que não existe qualquer incompatibilidade entre cerveja e futebol.

O retorno das cervejas aos estádios proporcionará geração de empregos, de renda e aumentará o faturamento dos clubes. O futebol inglês comprova absolutamente isso.

Portanto, qualquer medida para barrar as cervejas nos estádios de futebol não encontra nenhum respaldo técnico, fático, jurídico ou sociológico.

Escreva seu comentário

Preencha seus dados

ou

    #ItatiaiaNasRedes

    RadioItatiaia

    'Eu estou levando minha revolta para um lado de injustiça, eu preciso de uma resposta. Eu guardei tudo no quarto do bebê. Essa dor parece que não vai passar', completa.

    Acessar Link

    RadioItatiaia

    O caso foi revelado em primeira mão pela rádio Itatiaia e repercute nacionalmente.

    Acessar Link