Rômulo Ávila

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Os pontas resistem

Everton Cebolinha, destaque da seleção na Copa América, é prova que os pontas resistem. Ainda bem.

19/07/2019 às 06:43

Reprodução

O futebol moderno no Brasil praticamente excluiu a palavra ponta do seu vocabulário. Mas eles estão aí, mesmo que em menor número em relação ao passado (infelizmente). Everton Cebolinha, destaque da seleção brasileira na conquista da Copa América, é prova que os pontas resistem. Ainda bem.

Desde criança sonhava em ser jogador de futebol. E muito desse sonho era alimentado pelo fascínio com os pontas. A velocidade e os dribles me impressionavam. Eles usavam as camisas 7 e 11 e tinham como principal função chegar à linha de fundo e servir o camisa 9. Vira e mexe também sofriam pênaltis.

O tempo passou, acabei levando a sério o sonho e consegui me profissionalizar em 1998, no querido Villa Nova ou simplesmente Leão do Bonfim. Ah, minha posição? Ponta esquerda!!

Mário Tilico, Sérgio Araújo, Éder Aleixo, Edson e Edvaldo são alguns responsáveis pelo meu encantamento. Lembro como se fosse hoje que era impossível não levantar quando a bola chegava até eles: era sinônimo de perigo e, muitas vezes, de gols. Isso sem falar em Garrincha, simplesmente o melhor de todos os tempos.

Dei essa volta toda para fazer um questionamento: onde estão os pontas do futebol brasileiro? Como o país que revelou para o mundo jogadores como Garrincha, Edu, Joãozinho e Éder Aleixo praticamente não consegue revelar mais? Tenho a resposta: é culpa dos treinadores.

No Brasil do futebol moderno se aprende desde cedo: ponta agora é atacante de lado, que ainda tem que voltar para marcar o lateral. Antigamente, ponta tinha tal função, mas só até meio e olhe lá. Era o lateral que preocupava com eles. Não o contrário, como ocorre hoje.

O mais curioso é que o futebol europeu não abre mão dos tais pontas. Sané, Sterling e Mané e o próprio Hazard, infernal pela esquerda, são exemplos. O próprio Neymar rende muito quando atua pelo lado do campo. Enquanto isso o futebol brasileiro ainda insiste em mecanizar seus talentos. Ainda bem que surgem surpresas como Everton Cebolinha. Eles não deixam o ponta morrer. A torcida levanta, vibra e agradece.  

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