Ursula Nogueira

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Por Sahar...

Que Sahar vire um nome de luta! Que a história dela sirva para fazer história. 

11/09/2019 às 06:25

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O ano é 2019 e infelizmente ainda estamos noticiando casos de mortes em decorrência do futebol. Não me refiro a homens ou mulheres, mas a pessoas. A vítima desta vez é uma iraniana de 29 anos. Sahar Khodayari não foi morta por brigas de organizadas ou algo do tipo. Sahar foi morta por uma ideologia ultrapassada. 

No mês de junho, torcedoras iranianas foram agredidas por seguranças de um estádio em Teerã, enquanto tentavam assistir a uma partida de futebol. Pasmem: por lá, isso é proibido. Nesse mesmo episódio, Sahar foi presa por três dias e liberada após o pagamento de fiança. No dia do julgamento – que foi adiado -, Sahar ouviu nos bastidores que poderia ser condenada de seis meses a dois anos em regime fechado. Ela, então, ateou fogo em si mesmo e teve mais de 90% do corpo queimado. Sahar foi levada ao hospital, mas, infelizmente, não resistiu. 

É uma notícia tão triste que nos faz refletir sobre as nossas lutas diárias por respeito e espaço em um universo ainda machista. Todos os dias nos deparamos com dificuldades e preconceitos, mas a situação da Sahar beira o inacreditável. 

É impensável que em pleno século 21 nós tenhamos países onde mulheres são proibidas de entrar em um estádio de futebol para torcer. Que crime é esse? Que mundo é esse? Até quando essas mulheres viverão presas – sem estarem detidas – por gostar de um esporte? Até quando vamos tampar nossos olhos para essa realidade? 

Nossa luta deve ir muito além. Não podemos cobrar apenas mais investimentos, mais transmissões do futebol feminino... nossa luta precisa ser para salvar essas iranianas. Para salvar o mundo, que está doente. Precisamos ser pessoas. Ser coração. Ser emoção.

Sermos irmãos. O que a FIFA está fazendo – efetivamente – para eliminar isso? O que estamos fazendo? De nada adianta uma nota lamentando. É preciso ação, igualdade, respeito, coragem... 

Que Sahar vire um nome de luta! Que a história dela sirva para fazer história. 

Descanse em paz!
 

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