José Lino Souza Barros

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Aprender a ser humano

Do filósofo e escritor Mario Sergio Cortella

11/07/2020 às 03:48
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Nós, seres humanos, podemos construir a nossa trajetória baseada em dois lemas bastante distintos: “cada um por si e Deus por todos” ou “um por todos e todos por um”.

A ideia do “cada um por si e Deus por todos” ou variações a depender da crença – “cada um por si e a vida que decida” ou “cada um por si e o acaso que nos proteja” – é uma possibilidade. E sua adoção como conduta pode até ser facilitada em tempos mais tranquilos. Quando não há alguma perturbação mais forte, a noção do “cada um por si”, fica até mais palatável. Essa é uma escolha. Convém lembrar, entretanto, que a Humanidade, em sua trajetória até aqui, só conseguiu sobreviver, em grande medida, pela capacidade de cooperar, de trabalhar junto, de colaborar. (...)

Nós, humanos e humanas, precisamos ter companhia, sermos capazes de partilhar a vida, o pão, a jornada. Há um ditado, que circula em países da África, que é muito marcante: “Se quiser ir apenas rápido, vá sozinho. Se quiser ir também longe, vá com alguém”. (...)

Não podemos perder a perspectiva de que a diversidade é um grande bem para a nossa existência. Ela é um patrimônio e não um encargo. Embora, vez ou outra, o fato de termos de existir com outras pessoas possa parecer um encargo, trata-se de algo a ser manejado com inteligência, compaixão, fraternidade. (...)

Desse modo, vamos na vida com pessoas que têm religiosidades diferentes, sexualidade de um modo específico, um determinado posicionamento político, etnias e origens distintas, e tudo isso nos faz companhia, aumenta as nossas referências, amplia o nosso repertório. A outra pessoa permite que eu entenda algo especial: não há ninguém como eu no universo. Nem alguém exatamente como você. Cada pessoa é única. Eu sou único, mas, atenção, eu não sou o único. Tal como eu sou único, outras pessoas também o são, cada qual a seu modo. Se queremos caminhar juntas e juntos, teremos de lidar com essa diversidade.

Por isso, a cada pessoa que use a expressão “cada um por si e Deus por todos”, tenho esperança que haja a substituição pela adoção do “um por todos e todos por um”, na busca da vida plena e da aprendizagem em sermos, juntos e juntas, humanas e humanos.

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