José Lino Souza Barros

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As metas para a quarentena

04/07/2020 às 10:52
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Do psicanalista e escritor Mário Corso:

É possível encontrar mil dicas de como levar a quarentena. E são bem-vindas, estamos todos tristes, abatidos. Sem falar no medo por si e seus queridos e na contabilidade das perdas econômicas, que até de Buda tiraria o sono.

Queria deter-me em uma dica: a que coloca metas de aproveitar o tempo livre para fazer coisas que não se consegue fazer usualmente. Essas que sugerem ler clássicos, fazer um curso a distância, estudar uma nova língua, e outras coisas nessa direção.

Primeira questão, o tempo livre para a maioria das pessoas é zero. São poucos os privilegiados. (...) Aliada à pandemia, temos a politização delirante de um problema de saúde pública, que polariza até o uso de medicamentos, tornando pior o que já é difícil. Viver essa angústia consome parte da nossa energia psíquica. Sentimos o cansaço típico do estresse de dias difíceis.

A ideia de enriquecimento intelectual durante a quarentena parece boa, mas não seria uma exigência de seguir produzindo? Ultimamente nos tornamos o inclemente patrão de nós mesmos. (...)

Estabelecer essas metas não seria mais uma forma de negação de que todos vamos perder com a quarentena? Ninguém está tão com o boi na sombra que não vá sentir o golpe de pagar a conta da pandemia. Essa vontade de emergir maior desse período não seria uma maneira de dizer: "Eu não vou perder, vou sair mais rico dessa experiência"?

Na prática, provavelmente será o contrário, vamos sair empobrecidos. A meta razoável é sobreviver com saúde e especialmente saúde mental. Isso já é pedir muito. Portanto, tenha cuidado para as metas serem sensatas. E, se alcançar algo a mais, parabéns.

A maior cobiça que nos cabe é garantir a sobrevivência e a manutenção dos laços. Os vínculos têm sido postos à prova: as famílias vão sair desgastadas, os casais machucados e as relações com os filhos avariadas. Esse é o maior desafio. Não pense alto, pense em manter o que tem e cuidar dos mais frágeis.

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